quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

Poetinha





“Como explicar a emoção que senti? Talvez essa que provocaria a vista de um quadrinho de regata feito por Guignard, com ioles e esquifes distendidos na puxada e por ali tudo, em meio ao esvoaçar multicor de bandeirinhas, um mundo de serenas baleeiras a se balançarem suaves ao sabor das ondas. Sei que fiquei lírico, possuído do sentimento da fecundidade da vida, sentindo farfalhar em meus cabelos e arder em minha pele o sol fica claro do dia. Soube que o tempo tinha cumprido a sua missão, e todas aquelas mulherzinhas fecundadas, a berçar no movimento de seus passos, a gestação dos filhos, constituíam em seu gracioso desenho convexo uma maravilhosa afirmação de vida e um caminho para o amor. Soube que o amor é uma missão a cumprir por nós, homens, e que é a nós de constantemente querer, zelar e defender essas que tão frágeis, fazem a nossa força miséria e cuja a existência é um contínuo sofrer, se alegrar e se extinguir por nós. Soube que homem e mulher são, em sua constante atração e repúdio, a imagem mesma da vida em movimento, e que sua longa jornada de mãos juntas, a se afastar cada vez mais do Paraíso Perdido, tende a uma alfombra cada vez menos distante, onde se aninharão melhor e onde fecundarão seres cada vez mais próximos da Terra.”

Nosso "Poetinha" Vinicius de Moraes em sua crônica "o amor que move o sol e outras estrelas" faz uma analise do amor, comparando emoções e sensações. Especificamente quando analisa a repulsa e a atração entre homens e mulheres ele acaba por poeticamente, mesmo em sua crônica, fazer uma analise já feita por Charles Baudelaire, em seus estudos sobre a modernidade e amor e em suas poesias sobre o mal. Zygmunt Bauman,Um autor contemporâneo que também analisou o Modus Vivendi da sociedade moderna em seu livro "amor liquido" traz o enfoque sociológico do amor. Interessante e perceber que todos chegam a mesmas conclusões baseando-se em experiências próprias e em estudos diversos. Mostram que o amor nos tempos modernos torna-se cada dia mais complexo... Mas será que em outros tempos existia esse amor? O quão paradoxal é o assunto em sua notória complexidade. Faz-me pensar sem concluir e seguir em busca da felicidade, que não desenha em sua completude sem o amor.

Deixo meus humildes agradecimentos e congratulações e também presto essa homenagem ao nosso Poetinha. Grande Poeta, pensador e boêmio Vinicius de Moraes.

2 comentários:

Perdição disse...

Foto: OST de Guignard o mesmo citado no conto!!

Simplesmente... eu! disse...

Olá!
Quero agradecer as visitas ao meu blog e a presença ao longo deste ano.
Obrigado pela companhia!:)
Desejo tudo de bom para este ano que se avizinha!!
Beijinho